42ª Regata João das Botas

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Domingo, 26 de janeiro de 2014. Um dia perfeito, o sol estava tão quente que a temperatura atingiu 42 graus; o mar, de águas cristalinas, deixava ver o fundo em uma profundidade de mais de 5 metros; e neste, embarcações tradicionais como catraia, saveiros de uma vela de pena, de duas velas de pena, de vela de içar e canoas. Começavam a chegar de todos os lugares: Ribeira, Ilha de Maré, Itaparica, Maragogipe, Nagé, Coqueiros, entre outras cidades e distritos. Banhista de Salvador e todas as partes do mundo, além de repórteres e marinheiros que completavam o visual da praia do Porto da Barra para presenciar a mais tradicional regata da Bahia, a João das Botas. 

Fui embarcado no saveiro Ideal, de duas proas e vela de içar. Antes passei no saveiro Sombra da Lua e peguei uma carona no saveiro Joia Rara. Esperamos até às 13 horas quando foi dada a largada, fomos os últimos a sair do Porto da Barra, estávamos ancorados bem ao fundo, o que não proporcionou uma boa colocação no início. Quando já pensávamos que íamos estar juntos com os outros saveiros, surpresa, nosso leme ficou preso em uma corda de uma boia, o que nos roubou um tempo precioso. Entretanto, problemas resolvidos, começamos a velejar em boa velocidade.

Neste ano, aparentemente, cada categoria tinha uma raia. E, raramente, conseguia tirar fotos de embarcações que não competiam conosco, pois estavam distantes. As categorias eram saveiro de vela de içar pequeno (nesta categoria só existe o de popa torada); saveiro de vela de içar lanxa; saveiro de vela de içar popa torada; saveiro classe A, B, C, D;  saveiro de duas velas de pena; pesca; catraia; canoa A e B. Participaram do evento 68 embarcações.

Administramos a velocidade, mesmo saindo em último, já deixamos algumas embarcações no ângulo de nossa popa, mesmo antes de cruzar a primeira boia. Entretanto, estávamos cientes que a regata seria decidida depois da última boia, pois o vento era forte e de través, isto cobra muito da experiência da tripulação e principalmente do capitão.

O saveiro Ideal, estava concorrendo na mais veloz categoria dos saveiros de vela de içar, a duas proas (lanxa) - saveiros onde a popa tem o formato da proa -
pois, "corta" a água com mais facilidade que um popa torada. Nesta categoria, também estavam presentes o Mensageiro do Destino e um saveiro de nome bem atípico, o "Rompe Nuve". Os dois bem a frente. O Mensageiro, um barco veloz, e o Rompe Nuve com um mestre bem experiente no leme. Indo para a segunda boia, o Mensageiro optou por passar pela proa de um navio cargueiro, o que fez perder tempo na regata, o Ideal passou por trás do navio encurtando o caminho entre a primeira e a segunda boia. Talvez, o Mensageiro tenha feito esse traçado para se livrar de vento sujo que os navios de grande porte provocam, mas, não foi eficiente.

Quando ultrapassamos a segunda boia já estávamos perto do Mensageiro. Com o vento originário da Barra (local de chegada) a situação das embarcações tornavam-se indefinidas. O Rompe Nuve abriu uma grande vantagem, se não acontecesse um imprevisto o barco seria campeão. Já o Mensageiro foi perdendo terreno, neste momento os barcos cambavam a toda hora. O saveiro Ideal foi diminuindo a distância, em uma das cambadas estávamos na frente do nosso rival, assumindo o segundo lugar.

Notando isto, o Mensageiro realizou uma estratégia diferente, foi para o meio da Baía de Todos os Santos para realizar a menor quantidade de cambadas, uma estratégia ousada e arriscada. Já o Ideal foi cambando até se aproximar da Barra. Perto da chegada, aparentemente, os saveiros que disputavam o segundo lugar, estavam empatados. Um pouco antes da chegada, percebemos que estávamos na frente e o Mensageiro faltava ainda dar uma cambada. Estávamos confiantes, até o Mensageiro se aproximar rapidamente e cambar na nossa frente. E, suavemente, este, foi deslizando para o segundo lugar. Nós ficamos em terceiro. O Mensageiro do Destino - segundo lugar - e o Rompe Nuve, campeão.

Mais uma vez, a Regata João das Botas, torna-se uma homenagem a um grande guerreiro, que trouxe para a Bahia e o restante do país a tão almejada independência. E aos saveiros, pois, nossa frota era basicamente destas embarcações que resistem aos anos. Grande festa.

Agradecimento a relações públicas da Marinha Brasileira pelas informações.

Reportagem do jornal Tribuna da Bahia: clique aqui.

Abaixo fotos da regata:


Amizade, saveiro e regata, combinação perfeita


Bambolê, saveiro de duas velas de pena


Fotógrafos em raro momento, sendo fotografados


Saveiros de vela de içar, popa torada


O Sombra da Lua, saveiro de vela de içar, popa torada


Saveiros de vela de pena


Ubatombo presente










Ubatombo na pele


Mestre Aristides Cheto, Jóia Rara

O Joia Rara

Mestre Jailton, É da Vida

O Bambolê, majestoso

Tem uma carona aí?

Regata regada a samba

Tripulação do Ideal, respectivamente, Edson, Ronildo (Fio) e Joilson

Roberto Carneiro, um apaixonado por saveiro

Mestre Luciano, Sombra da Lua

O repórter

Rica, capitão do saveiro Ideal

Forte de São Marcelo e Salvador, imagem das memórias dos saveiristas

Sereias das praias

Pedro Bocca, presidente do Viva Saveiro, e amigos.

Ricardo Vega e amigo

Abelha, saveirista de longas datas

O 15 de Agosto

Abaixo veja o vídeo:



Abaixo a classificação:
Categoria 1º lugar 2º lugar 3º lugar
Saveiro de vela de içar pequeno Vencedor das Lutas Feliz Ano Novo Cruzeiro da Vitória
Saveiro de vela de içar lanxa Rompe Nuve Mensageiro do Destino Ideal
Saveiro de vela de içar popa torada Novo Cruzeiro Sombra da Lua É da Vida
Saveiro classe A Litutribo Fênix Pingote
Saveiro classe B Ago Eva Mar Thutherirys
Saveiro classe C Mestre Tampão Caixa Prego Mestre Lídio
Saveiro classe D Spartack . .
Saveiro de duas velas de pena Bambolê . .
Saveiro pesca Sol Nascente Brinco da Costa Manezinho Pescador
Catraia Celebridade O Guri Faz Parte
Canoa A A Nova . .
Canoa B Zuca . .
Fita Azul (Vela de içar) Novo Cruzeiro
Número de participantes 68 embarcações

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